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Faro: Fábrica da Cerveja tem Movimento contra comprar por privados

O “Movimento Pela Fábrica” tem início numa dezena de associações e ONGs com sede no Algarve, que têm vindo, nos últimos anos, a promover programação artística e cultural no espaço da Fábrica da Cerveja e que defendem a participação cívica.

Conhece, por isso, bem, as suas necessidades, valências, potencial e os diversos projetos estratégicos e funcionais de recuperação do edifício que têm vindo a ser redigidos, há mais de duas décadas e por diversas entidades, para sua reabilitação enquanto equipamento público de vocação cultural, tecnológica e científica.

Tendo tido conhecimento de eventuais negociações, entre o Município de Faro e um grupo hoteleiro, para venda da Fábrica da Cerveja, o Movimento questionou o executivo camarário sobre essa possibilidade, em reunião de Câmara, no passado dia 11 de maio.

A resposta obtida demonstra uma aparente falta de compromisso deste executivo para manutenção do edifício da Fábrica no erário público, bem como o que parece ser a demarcação de compromissos previamente estabelecidos, em 2020, por todos os partidos políticos com representação autárquica à data, aprovados por unanimidade e após ampla auscultação e participação associativa e cívica no seu desenvolvimento - caso do Plano Estratégico para Cultura 2030 (PEC 2030) deste município.

Este Movimento considera a venda da Fábrica uma perda danosa e irreparável para a cidade e a sua principal reclamação é que aquele património histórico e cultural não seja alienado a privados.

A privatização daquele espaço contribuirá apenas para o esvaziamento da “Vila Adentro” (a “cidade velha” de Faro) de valor, de munícipes e dos próprios turistas que o Município e grupos hoteleiros procuram: a todos estes falta faz, e muito tarda, um equipamento público adequado às áreas acima mencionadas, como ambicionado por farenses, algarvios e anteriores executivos camarários - do PS aos partidos que hoje compõem a AD - há mais de duas décadas...

A Fábrica da Cerveja, construída entre 1930 e 1940 sob estruturas do período romano (desconhecidas à data), constitui uma peça relevante de arquitetura industrial da cidade - tendo sido armazém, entre outros, de cervejas e militar - e, na última década, tem acolhido diversos eventos culturais de referência, que dinamizam o circuito artístico e cultural da cidade de Faro e da região do Algarve.

O Movimento pela Fábrica está em desenvolvimento e prossegue com a divulgação do que considera ser uma potencial ameaça ao património de todos, agregando apoiantes e subscritores coletivos e individuais locais, regionais e nacionais, preocupados com o alheamento do planeamento das cidades das necessidades dos seus cidadãos e tem previstas várias ações de sensibilização para esta matéria.

 

Ademar Dias

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