Faro: plano de drenagem visa garantir o fim das inundações na zona de São Luís
O Salão Nobre da Câmara Municipal de Faro recebeu na passada sexta-feira, dia 23 de outubro, a apresentação do Projeto de Execução da Rede de Drenagem de Águas Pluviais e Beneficiação de Descargas Pluviais. O projeto, concebido pela empresa Hidra, fundada por Saldanha Matos, poderá ascender a um investimento global de cerca de 15 milhões de euros, visando aumentar a resiliência face a eventos de precipitação mais severos e reduzindo o risco de inundações na cidade, em particular nas zonas do Largo de São Luís.
O projeto preconiza como intervenção prioritária o reforço e reabilitação do coletor da Rua de S. Luís, reforço e reabilitação de coletores, o desvio e controlo de caudais, o sistema elevatório pluvial e bacia de detenção enterrada, construção de rede separativa onde a rede é unitária e soluções de controlo na origem (por exemplo no campus da Penha da Universidade do Algarve/ zona do pólo tecnológico), bem como reforço dos dispositivos de captação do escoamento superficial e proteção de descargas.
O objetivo é que este plano possa aumentar a resiliência face a eventos de precipitação mais severos, associados às alterações climáticas; reforço da rede pluvial, com reconstrução da rede e desvio de caudais das ruas Ataíde de Oliveira, D. Jerónimo Osório e Pintor Artur Costa, aliviando os coletores existentes; proteção da descarga da Ribeira das Lavadeiras; reforço da drenagem doméstica, servindo cerca de 13 mil habitantes, substituição da rede de distribuição de água (atualmente em fibrocimento), reduzindo assim o risco de inundações na zona de S. Luís – identificado como um dos pontos críticos da cidade em situações de chuvas intensas.
Para o Presidente da Câmara Municipal de Faro, António Miguel Pina, “a primeira fase desta intervenção, mais robusta, implica, entre outros trabalhos, levar uma conduta com dois metros de diâmetro com vários metros desde a zona de São Luís até à ribeira das Lavadeiras [junto às bombas de combustível do Auchan], num valor de 10 a 12 milhões, enquanto a segunda fase, que se articula com o projeto da Alameda XXI, é o tratamento da área da Ribeira das Lavadeiras, numa intervenção de cerca de 2 a 3 milhões de euros”.
O autarca adianta ainda que, ainda esta sexta-feira, dia 30 de outubro, será assinado um protocolo com o Ministério do Ambiente para “analisar as fontes de financiamento” para realização desta intervenção.
Para Saldanha Matos, professor catedrático do Instituto Superior Técnico e autor do Plano de Drenagem de Lisboa, “esta foi uma solução pensada a 100 anos” e apresenta “uma garantia praticamente absoluta de que esta zona [São Luís] não terá mais inundações”.
Este pressuposto, refere ainda este especialista, implica que “o sistema seja mantido, além de outras intervenções que estão previstas e terão de ser feitas, como o controlo de origem, a montante, entre outras”.
A obra, que provocará inevitáveis constrangimentos, tem uma programação entre 18 a 24 meses para a sua realização desde o seu início, devendo, ainda em fase de projeto, ser acompanhada por uma comissão constituída por comerciantes e outros intervenientes que possam ser interessados ou afetados pela intervenção, garantiu ainda o Presidente da Autarquia, António Miguel Pina.
Créditos da imagem: CM Faro
Ademar Dias




